Eu já disse que quando tenho algo martelando em minha cabeça eu fico deitado na cama pensando no que me assombra por horas até conseguir pegar no sono. Às vezes acordo no dia seguinte e o pensamento já está no bendito problema. Passo o tempo ensaiando o que vou dizer, crio os diálogos em minha cabeça. O que vou dizer, qual deverá ser a resposta. Sempre penso nas opções. E são as opções que acabam tirando o meu sono. Às vezes são tantas variáveis.
Ontem eu consegui eliminar um deles. Há quase seis anos eu magoei um grande amigo e só percebi que o tinha feito muito tempo depois, quando passei por situação parecida. Por muito tempo me torturei, muitas vezes tentei trazer o assunto a tona, mas nunca criava coragem. Disse que precisávamos conversar e ele disse que aquela seria a melhor hora. Meu estômago embrulhou, senti calafrios, a voz embargou. Tive que mergulhar fundo na história para ele se lembrar do ocorrido e, quando ele conseguir recordar, me disse que eu não precisava me preocupar pois não tinha importância e que ele nem se lembrava daquilo. Tirei um grande peso das costas e, enfim, descobri que estava me torturando desnecessariamente.
Quanto mais adiamos uma conversa mais aumentamos as nossas dores, medos e anseios.
Mas o que fazer quando a única maneira de resolver a situação é falar com alguém que não quer conversar contigo? Alguém que não atende as tuas ligações, não abre os teus e-mails e te bloqueou em todas as redes sociais.
A minha grande saída neste caso é escrever. Antigamente eu escrevia letras de músicas e poesias. Se eu estivesse em alguma sala vazia na escola, com certeza estava escrevendo por estar triste ou ter brigado com alguém. Hoje já não consigo mais, tenho um grande bloqueio criativo para compor. Então escrevo cartas. Estas cartas normalmente transcrevem o que está atormentando a minha mente e prejudicando as minhas noites de sono.
Costumo escrever como se eu estivesse conversando com o destinatário e na maioria das vezes sou hostil, dramático, e hiperbólico. Antes de terminar de escrever já estou arrependido das coisas que escrevi, mas é o que eu precisava desabafar, não posso guardar dentro de mim. E não guardo mesmo. Pode passar o tempo que for, hora ou outra eu acabo entregando a carta ao seu destinatário. Na maioria das vezes eles não ficam satisfeitos, mas são águas passadas, o que está ali eram mágoas que muitas vezes já curei.
Portanto, se um dia você receber uma dessas cartas, não se abale. Com certeza era o que eu sentia na hora, mas se você está lendo é porque eu já superei.
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