quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
TDAH X RELACIONAMENTO
Vou contar para vocês a história de um casal chamado João e Maria.
João e Maria tinham uma grande diferença de idade. Eles também tinham uma grande diferença de personalidade. João era todo extrovertido, rodeado de amigos, falante ao extremo, desorganizado e muito desastrado. Maria era tímida, não saia muito de casa, era centrada e responsável.
Quando os dois começaram a namorar, os amigos de João diziam que o namoro nunca daria certo, pois Maria nunca aguentaria o seu jeito. Mas durante quase três anos eles foram felizes.
O casal nunca havia brigado, porém Maria há muito tempo reclamava de João. Ela se sentia sozinha, cobrava a presença do namorado, gostaria que ele encontrasse um emprego convencional, estava insatisfeita com a maneira que ele andava se comportando.
Certo dia, os dois tiveram uma discussão. João disse coisas das quais sabia que iria se arrepender e deixou Maria falando sozinha no quarto.
João sempre foi muito tranquilo com o fim de seus relacionamentos. Sofria por alguns dias e logo estava tocando a vida. Ele sempre dizia que se um dia ele e Maria terminassem, ele sabia que Maria se abalaria, mas ele apenas seguiria em frente. E foi o que aconteceu no começo.
Uma semana após o término, a ficha de João começou a cair. Diversas vezes ele tentou reatar o namoro e Maria sempre foi categórica em dizer que não voltaria.
O rapaz culpava o TDAH. Enviou vários vídeos e textos sobre o assunto para a ex-namorada, que demonstrava não se importar com a condição. Maria acreditava que João não queria mudar e ela não estava disposta a passar o seu futuro com o homem que ela via nele.
Durante um ano João sofreu por ter perdido a pessoa amada. Maria também ficou chateada, pois abriu mão de alguém que amava, pois não via futuro na relação. Mas ela seguiu em frente. Todo esse tempo foi necessário para que João entendesse que por mais que ele amasse Maria, ela nunca aceitaria os seus "defeitos".
Eu sou João. E assim como eu também existem muitos outros João por aí, sofrendo pois gostariam que suas parceiras os compreendessem, torcendo para que as suas Maria os acompanhe durante a sua jornada.
Confesso que hoje ainda sinto saudade. Sinto falta da nossa cumplicidade, das conversas ao longo do dia, de contar como foi o dia de trabalho antes de dormir. Mas, toda vez que lembro que ela disse que eu afundaria o futuro que ela planeja construir, um punhal perfura meu peito e me liberta um pouco mais. Por isso, Maria, saiba que toda vez que João te magoar ou se magoar ele vai lembrar e se torturar por isso por toda a sua vida.
Se você, homem ou mulher, é um João, recomendo que antes de qualquer coisa analise o teu relacionamento. Se vocês se amam e passam por cima das adversidades para ficarem juntos, continuem assim. Se vocês estão buscando ajuda e a tua Maria já sabe como você age e que muitas vezes as coisas fogem do seu controle, continue assim. Agora, se a Maria não está disposta a conhecer mais sobre o TDAH, conversar com o teu médico e, muito menos, está disposta a encarar os teus sintomas, pule para a próxima da fila. Vocês não vão dar certo, independente do quanto de amor esteja envolvido.
Se você é uma Maria e está disposta a encarar o desafio, parabéns! Conheça melhor o transtorno e os seus sintomas, entenda como o teu namorado age. Acredite que quando ele diz que não quer discutir é porque ele tem medo de dizer coisas que podem te machucar e ele vai se ferir com isso, aceite que muitas vezes ele vai precisar de alguns momentos de reflexão. Deixe-o sozinho por um tempo. Caso não esteja preparada, deixe-o ir.
Ame quem te quer bem, João. Se Maria não aceita a sua condição de TDAH, Maria não aceita você. Se Maria não ama você com os teus sintomas, ela não te ama por completo.
Como diz a música da banda Jota Quest: "Afinal, será que amar é mesmo tudo?". Não demorei muito a entender a música, mas demorei a aceitar.
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